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terça-feira, 3 de junho de 2008

Inevitavelmente a Crítica à Razão


Quem

o seu povo

o mundo todo!
Esta é a regra. Em Barcelos os Homens são vistos, e o mundo é projectado.
A decadência não convém agora citar.
Rosa Côta:
sua herança carregada de sabores minhotos está nos Paços do Concelho.
Espera uma visita.
Mas atenção! Não há lá dístico azul.

Ontem ouvi o seu nome
no caminho que levava um rumo sem sinal.
Não sei onde me leva esse tal caminho
mas era de lá que o seu nome se manifestava.
E eu segui...
Apenas porque o cheiro do caminho se confundia
com o cheiro do seu barro e da sua pintura.
Porém ela esperou por mim.

Espero apenas um sinal.
Esperas apenas um sinal.
E eu acredito que
talvez a vida seja uma mistura de sonhos
com realidade.
Mas eu vi
a exposição de Rosa Côta.


Catarina Cachada & Isabel Arantes

Visita Guiada

Desce, desce, desce. Não olhes para o lado direito, isso ficará para uma outra altura, o objectivo de hoje é um pouco diferente.
Em frente, sempre em frente. Começas por ver janelas para um mundo exterior bastante fictício, colorido, alegre, não é??? Ainda não é aí, segue em frente, só mais um pouco!
Isso, aí, aí mesmo. O que vês? Bem te avisei que não era assim tão fácil, mas quem procura pacientemente, está bem mais perto de encontrar.
Olha, sentes-te sozinho agora, ou só prisioneiro de alguma coisa de que nem te dás conta? Pois, também me senti assim, mas só mais logo te vais dar conta, entretanto move-te.
Mas olha só, desprende-te um pouco e agora sente o toque, a luz, o som! De qual destes gostas mais ao nível do som? Oh, não! Nesse não há qualquer som, é só luz, cores… blaaaarg! Este sim, tem uma intensa sonoridade, hummm!
Bem bem, tanta fraternidade. Não saberão eles que a utopia é algo que só os loucos e os sonhadores admiram?
Ah, isto sim, isto é que é vida real! De que lado queres ficar? Então não percebes, olha o título Faixa de Gaza, diz-te tudo. Eu gosto dos da direita, têm ar de quem não tem mais nada para fazer, os da esquerda levam isto tão a sério…
Agora sim, algo que não consigo compreender. Afinal não é essa a essência da obra de arte? Oh sim, tens razão. Cabelo comprido, ar de carpideira, é isso mesmo! Esses grandes intelectuais é que têm razão ao banalizar estas Inquisições tão pacóvias.
Este não, não olhes sequer: pura ofensa sensitiva. Sigamos em frente.
Eia, que beleza, que maravilha! Não percebes onde está a arte? Oh, deixa-te disso. São preciosismos que ultrapassam a irrelevância do nosso ser…

Jorge Marques

terça-feira, 20 de maio de 2008

Onde a Cidade acaba e a Linha começa

Há uma rua ali em frente que tresanda profundamente. Alguém se esqueceu de a frequentar nos últimos… 40 anos! “Nada que me impressione”, responde-me, em tom ríspido, Benjamim.
Encontram-se em Barcelos diversos pedaços de um futuro estilhaçado pelas curvas, linhas e contracurvas que Nadir Afonso resolveu deixar a gerações vindouras, com ou sem tiques de Egocentrismo desnaturado.
A cidade não existe, é o demónio que beijo nos meus sonhos. Nadir tratou de alinhar e centrar num espaço branco alguma daquela substância que está perdida por entre frinchas industriais ou simples bilhetes comprados numa pacata gasolineira.
“E tu?” é algo que não se pergunta. Não se deve perguntar. Espera-se não ser preciso perguntar! Entretanto, chega O Apocalipse: devaneios citadinos com traçados de ruralidade promíscua, profundo desligar de relações minimamente informais. Que fazer? “Oh Bernardes, deixa esse quadro, passemos ao próximo”.
“Isto é uma ponte”. Sim, é óbvio que isso é uma ponte. “Aquilo é um prédio!”. Sim, também é óbvio que aquilo é um prédio. Mas… repara naquela gaivota por cima do prédio, o jardim por baixo da ponte e o fósforo pousado no parapeito daquela janela, olha!
Sente-se o cheiro do sol que espreita pelas janelas da Galeria Municipal de Arte, aconchegando-se na criação que convida ao júbilo do recorte, a tesoura ou x-acto, não das próprias telas, mas dos efervescentes “percebedores” de tudo ou de coisa nenhuma. Leninegrado e outras “Fluorescences” cidades posaram para que Nadir Afonso as retratasse, “As Amantes de Lúcifer” lutaram entre si para decidir qual seria a primeira a ser pintada, porque não olhar uma segunda vez?
Um risco na vertical ali, outro risco na horizontal aqui, o livre-arbítrio começa a ser deixado para trás e é o próprio quadro que nos ensina “o que ver a seguir”. É matemático, doa por onde doer, pinte por onde pintar. Convido a que algumas perspectivas de Nadir Afonso, no que diz respeito à criação de uma obra de arte, sejam analisadas. Este flaviense mostra que não é apenas um pintor. È um pintor que reflecte sobre aquilo que faz, como o faz e porque o faz, algo que se revela perspicazmente saudável, em tempos em que um vulgar cozinheiro se pode tornar num baterista reconhecido em todo o mundo.
“Então, vamos?”, questiona. Já vou, já vou. Um último olhar e reparo que Nadir “ morará em Barcelos até ao próximo dia 29 de Junho. Bom proveito, pois a mim uma antiga e familiar cidade me espera lá Fora.



Jorge Marques

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Passado do passado após o passado!


Passado do passado após o passado.

É muito fácil de concretizar: caminham até a Galeria de Arte, até o dia 27 de Abril, simpaticamente, esboçam um sorriso para a Senhora que costuma encontrar-se à entrada e voilá: B.D. do 25 de Abril e período “Quente” de 75 à vossa frente, gritando: “Analisa-me!”.
Esta mostra é um conjunto de trabalhos da época. Onde se encontram desde as mais reconhecidas imagens do pós 25 de Abril, até uma série de obras menos acessíveis ao grande público.
Para aqueles, mais jovens, e únicos a quem me atrevo tentar incentivar, esta é uma forma facilmente exequível de (re)visitar um panorama social e político que não o seu. Especialmente para aqueles que se sentem atraídos por ideologias mais à esquerda, ou pela história política portuguesa no geral, encontram nesta exposição uma perfeita base, nostálgica e interactiva, de adquirir mais conhecimentos.
De referir é a representação do lendário debate entre, os não menos lendários, Álvaro Cunhal e Mário Soares: “Olhe que não. Olhe que não”. De resto, está lá tudo: desde a madrugada de 24 para 25 de Abril, até as nacionalizações em massa, passando pela formação dos partidos políticos que hoje conhecemos.
Sugiro, humildemente, uma visita a este espaço, incentivo, não menos humildemente, a o fazerem ao som de Zeca Afonso.
Os primeiros anos da Democracia portuguesa são, sem duvida, páginas de orgulho nas, imensas, paginas da História de Portugal. E cabe a nós, jovens, não deixar desvanecer um passado que teima fugir.



“Cantai, cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança
Dançai ó parcas vossa negra festa
Sobre a planície em redor que o ar empesta
Cantai ó corvos pela noite fora
Neste areal onde não nasce a aurora”

José Afonso


(Poderia ter sido...)
Mas não fiquem esperançosos: o 25 de Abril há muito que morreu!


Isabel Arantes

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Escrevi sobre Arte!


Notável paisagista, caricaturista e retratista barcelense, Gonçalves Torres, foi uma prestigiada descoberta para mim.
Numa tarde um pouco atribulada resolvi ir até à Biblioteca Municipal de Barcelos, distraída com os meus pensamentos, falando com os meus botões. De repente algo me despertou a atenção, um cartaz que anunciava uma exposição de pintura que lá se encontrava desde o dia 21 de Fevereiro até ao dia 30 de Março. Achei interessante e resolvi ir ver. Fiquei surpresa, pelo seu cariz realista, com as 34 obras de arte, cujos temas eram paisagens, monumentos e “gentes” de Barcelos.
Gonçalves Torres desenhava com sentimento, pintava com o coração. Todas as paisagens retratadas transparecem jovialidade, algo que hoje em dia já não se sente “por cá”; fazia caricaturas e retratos de ricos e pobres (pobres na maioria), talvez porque se identificava mais com o lado mau da vida, devido ao facto de ser proveniente de uma família não muito abastada.
Tendo Braga como”casa”, Barcelos esteve sempre no seu horizonte, onde tudo tinha começado. Como barcelense sempre irá ser recordado, esta ilustre semente que um dia voltou à terra onde foi semeada.


Heika Castro

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Exposição – “Rosa Ramalho: A Colecção”




Local: Museu de Olaria – Sala de exposições A e B

Duração da exposição: até Junho de 2010



No dia 3 de Outubro de 2007 visitamos esta exposição que se encontra no Museu de Olaria da cidade de Barcelos e que visa a conservação e divulgação da fabulosa e notável obra de olaria de uma das mais célebres e prestigiadas figuras barcelenses, e até nacionais, nesta verdadeira “arte manual”. Falamos, claro está, de Rosa Ramalho.
Ao longo da visita às salas A e B do museu, deparamos com várias peças (cerca de 342) com os mais variados temas, desde retratos e figuras representantes da “Última Ceia”, passando por representações de vindimas, procissões e outros ritos tradicionais.
É de louvar e consagrar esta iniciativa do Museu de Olaria e da própria Câmara Municipal de Barcelos já que mostra ao público cerca de 342 peças julgadas caracterizantes da obra de Rosa Ramalho, mantendo assim bem acesa a memória dos barcelenses para com a vida e obra desta grande figura conterrânea.

Aconselha-se.




Alberto Peixoto
Catarina Cachada
Isabel Arantes
Jorge Marques